Licença, que ela vai incandiar!!!
Setembro 18, 2007
Vejo Fabiana Cozza surgir no palco com os pés descalços, vestindo um longo e colorido vestido. Sempre achei que subir no palco com os pés desnudos era um sinal de total entrega do artista; uma vontade de chegar mais perto da platéia e sentir a vibração do seu público.
Fabiana Cozza é o tipo de artista que não cabe em si, quem dirá em uma mídia de CD.
Sim, ela transcende seus próprios discos, não canta apenas, atua, intepreta, vive cada música como se fosse uma explosão e transborda emoção e paixão em cada número.
Quem conheceu seu primeiro trabalho – muito bom, diga-se de passagem – e não acompanhou sua trajetória até o lançamento deste segundo CD, ficará surpreso ao saborear “Quando o céu clarear”. Há um abismo entre os dois. Simplesmente, porque Fabiana vive um momento de superação.
E que ninguém se contente apenas em ouvir o seu disco, ou a assistir um dos vídeos postados no youtube. Fabiana é muito mais. Precisa ser assistida e destrinchada pessoalmente.
Aqueles que tiveram o privilégio de conferir o show de lançamento de seu CD neste último final-de-semana, no Sesc Pinheiros, sem dúvida, não esquecerão da energia contagiante de tal espetáculo.
Milimetricamente planejado, arranjos e rodopios precisos. Algum desavisado, ao ler este post pode acreditar que se trata de uma apresentação extremamente técnica, quase um João Gilberto de saias.
Eu até poderia fazer uma comparação com o João, guardadas as devidas proporções, que a união perfeita da voz rompante e estremecedora de Fabiana e as batidas da forte e marcada percussão, está para o casamento do violão e voz do nosso gênio da bossa.
Mas, em Fabiana, tudo é exuberante e sempre, permeado de muita emoção. Por isso, ainda que técnica, sua performance é sempre visceral.
A interpretação de “Tendência”, música de Dona Ivone Lara e Jorge Aragão, provavelmente rasgou o coração de quase todo o público presente. Inicia num tom dramático e lamentoso, ao som do piano e voz, e encerra com uma daquelas frases contraditórias que só os apaixonados são capazes de proferir: “se precisar pode me procurar”, num cenário desesperador em que uma chorosa cuíca implora pelo retorno do causador de tamanha dor.
Isso sem contar com outras intepretações imperdíveis, como a releitura de “Canto de Ossanha”, com a participação de músicos cubanos, a presença marcante de Dona Ivone Lara…
E Fabiana despede-se de sua platéia com ecos, entonando: “Incandeia, incandeia, incandeia meu candiá (…)”.
Fatos,
Fabiana Cozza é excepcional no que faz, e mostra que realmente o ’samba é o seu dom…’. Vê-la ao vivo, de perto, não parece de verdade!
Ao mesmo tempo que li o que a você escreveu, imaginava cada movimento e música cantada por ela no Ó, numa dessas noites de sextas que fez calor em setembro!
Outro fato. Descrição arrepiante, Má! Parabéns a você pela inspiração e lógico, parabéns a inspiradora! Santa Cozza!
Aeeeeeê!
Mais uma blogueira! Seja muito bem vinda, Má. Nada mais ‘pé direito’ que começar com um texto sobre Fabiana Cozza!!
Parabéns pelo texto. Que venham muitos!!
Li
Gosto de ser comparado com grandes cantoras. Quando eu lançar meu próximo disco (que deve demorar) espero que você escreva, certo?
Querido gênio João Gilberto!
Pode deixar, assim que vc lançar o seu cd, terei o maior prazer em comentá-lo!
Aliás, te mandei uma cópia do CD da Fabiana, assim vc compreenderá as sensações que tentei descrever!!!
Poucos já ouviram a respeito de Fabiana Cozza. É fenômeno musical admirado por público que não chega ao segundo milhar, seletos freqüentadores dos circuitos de Samba de Raiz. Tivesse nascido noutro país –ou em Brasil de outra época – e seria idolatrada.
Com quantos hiatos criativos se faz uma Loira do Tcham? Apenas com um: aquele do país que mata seus poetas. E Cozza os resgata.
Mas, tivesse nascido noutro país, não seria Fabiana Cozza.
Poucos já ouviram a respeito de Fabiana Cozza. É fenômeno musical admirado por público que não chega ao segundo milhar, seletos freqüentadores dos circuitos de Samba de Raiz.
Com quantos hiatos criativos se faz uma Loira do Tcham? Com apenas um: aquele do país que mata seus poetas. E Cozza os resgata.
Tivesse nascido noutro país – ou em Brasil de outra época – seria idolatrada. Mas tivesse nascido noutro país, não seria Fabiana Cozza.
teste
Devo admitir que o segundo CD da Fabiana Cozza “não sai de mim, não sai de mim, não sai”… Não consigo parar de ouvir; as letras das músicas são lindas, os arranjos muito bem feitos e a voz dela… bem, nem se fale.
Dá orgulho ver essa menina indo loooonge…