As facadas no estômago!
Setembro 21, 2007
Essa eu devo ao meu amigo Lú Tomé!
Certo dia, conversávamos sobre os tipos de pessoas que nos deixam realmente “balançados”, quando este, numa de suas sacadas geniais, concluiu: “não existe um modelo específico e nem mesmo a beleza é tão relevante. O que realmente conta são as facadas.”
E não é que ele tem razão? São as facadas que sentimos no estômago assim que encontramos ou conhecemos uma pessoa que nos dão a dica de que estamos diante de alguém capaz de fervilhar os nossos sentimentos.
Porém, notei que, em geral, as pessoas identificam os responsáveis por suas punhaladas pelo menos por duas diferentes maneiras. Alguns, possuem uma visão mais platônica e buscam encontrar sempre as mesmas características físicas ou de caráter, com o objetivo de selecionar seu atirador de facas.
Já outros, como eu, carecem de algum contato físico para se tornarem alvo das facadas. Logo da primeira vez, sou capaz de identificar se estou na presença de um homem dotado de potencial para esfrangalhar meus órgãos. Meu termômetro são os primeiros beijos: a depender da intensidade e da temperatura, em alguns poucos minutos, facilmente sei afirmar se se trata de um vulcão dormente, prestes a entrar em estado de erupção, ou simplesmente água em estado líquido, em vias de processo de solidificação.
Se a escolha de uma dessas posições fosse realmente possível, recomendaria, sem sombra de dúvidas, a primeira. Apesar de parecerem sempre idealizar seus próprios carrascos, num ato de quase contemplação, geralmente, essas pessoas deixam-se levar e apaixonar muitas vezes por simples malabaristas, que acabam, com o tempo, tornando-se os seus atiradores de facas.
Já os tidos como supostos carnais, na realidade, acabam se transformando nos seres mais sonhadores. Isso porque, ao se deixarem seduzir pelo momento, pela intensidade e, ao imaginarem que encontraram alguém com potencial para fazê-los flutuar, muitas vezes não conseguem se desprender desse ideal. E, ainda que por algum obstáculo do destino essa aspiração não se chegue a concretizar, acabam prendendo-se ao desejo não realizado.
Bom, enquanto eu não conseguir me transformar em uma engolidora de facas, contentarei-me em repetir a máxima de Sêneca que, aliás, deveria ser lembrada e apreendida por todos, diariamente: “A expectativa é o maior impedimento para viver, que fica ligada no amanhã e perde o hoje.”
Sou do primeiro tipo, nunca a facada é a porteori para mim. Então sou sempre vítima das minhas fantasias de esquartejamento improvável, sempre à margem do real.
Como diz o poeta:
Sou
por toda parte estrangeiro,
quando muito, hóspede.
As minhas facadas são quase sempre, inesperadas..aqueles que menos espero, acabam por despedaçar minha carne como navalha………
Aliás, tenho superado a quantidade de facadas nos últimos tempos!
Precisamos de um faquir!
Aliás, em tempo: para curar um desamor, só uma facada. Nada como uma facada após a outra!
Bom, muito bom. Já pus o endereço do seu blog no meu. Beijos.
Bruno,
Valeu, já linkei o seu também!
Beijos
A facada é necessária, sara! Mas no caminho sempre haverá alguém com um punhal na mão, mesmo sem saber e assim se faz um ciclo. Faca… sara!
Do mais novo esquartejado,
Cleber
Só agora, dias após ter postado este texto, lendo um texto de Francisco Bosco, em que ele cita um samba de Nelson Rufino, me dei conta de quanto a idéia que deixei por aqui está ligada a essa música..
P.S.: Vale a leitura do livro “Banalogias, de Francisco Bosco (sim, filho de João Bosco).
O Dono da Dor
Queria a felicidade
Não pra me apaixonar
Por medo desse amor bonito me fazer chorar
Que fazer com meu coração
Paixão chegou sem dizer nada
ensinou pro meu viver
Que o dono da dor sabe quanto dói
Tem jeito não, o peito rói
E só quem amou pode entender
O poder de fogo da paixão
Porque
A realidade é dura
Mas é aí que se cura
Ninguém pode imaginar o que não viveu
Queria felicidade
Não pra me apaixonar
Por medo desse amor bonito me fazer chorar
Eu não sabia, óh! Senhor
Das artimanhas do amor
Caí nas garras da sedução
Tá doendo demais
Mexendo com minha paz
Amarga e doce tentação.